O Brasil é um dos países que mais possui influência de outras nações na formação da sua cultura. A religião, por exemplo, diversifica-se pela presença de várias crenças: catolicismo, budismo, hinduísmo, evangelismo, espiritismo, entre outras.

Essa miscigenação deve-se ao processo de imigração que vem desde a época do descobrimento e mantém-se até hoje. Como símbolo dessa mudança temos os africanos, que foram trazidos nos navios portugueses para trabalharem como escravos, junto aos índios, na extração do pau-brasil e outras especiarias.

A população africana ancorou seus costumes no país, com ênfase na sua religião. Mas por causa do preconceito latente dos portugueses com relação a outros ritos – que não os católicos, eles tiveram que dar uma nova roupagem às entidades presentes que ganharam correspondentes do catolicismo a fim de poderem ser cultuadas e dessa forma levar a crença por séculos.

Os africanos também tinham ligação com o espiritismo, acreditavam que seres de um mundo invisível pudessem se comunicar através de algumas pessoas que possuíam graus elevados dentro da religião. Eles utilizavam roupas para reverenciar, comida como oferenda, música e dança como saudação a fim de expressar a fé de cada um.

O legado deixado por eles é muito vasto e podem ser destacados alguns pontos que contribuem para cultura brasileira. No vestuário: saias rodadas, panos vistosos, braceletes e argolões. Na música: agogô, agbê, berimbau, cuíca, atabaques, jongo, barrica, tambores. Na dança: axé, afoxé, maracatu, samba. Na gastronomia: azeite de dendê, caruru, vatapá, acarajé.

Hoje, o maior de todos os aprendizados que foram passados do africano para a população do Brasil é a capacidade de não guardar ódio nem rancor das pessoas que o fizeram mal e difundir a caridade com o objetivo de construir o sentimento do amor, contornarem as situações e valorizarem o lado bom de cada história. Quem sabe o jeitinho brasileiro não nasceu destes fundamentos?

“Devemos ser gratos ao africano, que foi capaz de conviver com seu escravizador sem guardar o ódio no coração, estabelecendo com ele relações amistosas. Com ele, aprendemos a resignação e a convivência em regime fraterno. Explorado, soube compreender, perdoar e até amar o conquistador, ajudando-nos a que sejamos essa mistura de raças, marcada pela vocação para a fusão, para a mistura, que nos torna efetivamente diferentes, capacitando-nos a que sejamos o coração do mundo” (Evaldo Campos – Palestra: A Influência Africana na Formação Religiosa no Brasil).

Referências

http://www.espirito.org.br/portal/palestras/irc-espiritismo/palestras-virtuais/pv051100.html

http://morchericardo.blogspot.com/2007/10/estudo-da-histria-de-religies-africanas.html

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